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A impressionante série de descobertas de petróleo pela Petrobras no pré-sal brasileiro aumentou o interesse do mundo sobre a companhia, que pertence ao seleto clube de operadoras com completo domínio tecnológico para operar águas ultra-profundas, de até 3 mil metros de profundidade. No Congresso Mundial de Petróleo, encerrado em Madri, foi grande a quantidade de executivos e presidentes de empresas que foram ao stand da Petrobras para uma conversa com o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli. A ConocoPhilips, Sinopec e a Eni assinaram acordos de cooperação. Mas também aconteceram reuniões com Repsol e Galp, só para citar algumas sócias da companhia em blocos do pré-sal.
Dizendo que não iria informar sua agenda, Gabrielli apenas confirma que a maratona foi intensa. A onda de curiosidade sobre a nova "darling" do setor também foi notada por funcionários da estatal que eram abordados por onde andavam durante os quatro dias do Congresso. "É impressionante, não podem ver o meu crachá que me param para perguntar. Querem saber de tudo, inclusive Tupi", conta um deles.
Gabrielli também foi muito procurado por jornalistas, o que não é pouca coisa em um lugar onde estavam os principais comandantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no momento em que o mundo discute a escalada de preços, custos de exploração, demanda crescente sem resposta da oferta. E justamente numa semana de escalada de preços do petróleo. Ontem, a commodity fechou com novo recorde. Em Nova York, o WTI fechou cotado a US$ 145,29, com alta de US$ 1,72. O Brent subiu US$ 1,82, cotado a US$ 146,08.
Além disso, o setor discutiu a polarização entre empresas internacionais de petróleo e as empresas nacionais, controladas pelos estados. As primeiras têm tecnologia e recursos, enquanto as segundas detém 80% das reservas mundiais.
Nesse ambiente, o Brasil e as descobertas gigantescas da Petrobras, o tamanho da companhia e as peculiaridades do mercado brasileiro onde se pode abastecer veículos com etanol foram mais uma vez foco de interesse. Ademais, o Brasil anunciou a maior descoberta dos últimos 30 anos e se tornou um país com novas reservas inexploradas em um mundo que discute o acesso a novas áreas. Esse debate não é apenas brasileiro. O México negocia no seu congresso mudanças na legislação que garantem o monopólio da Pemex, que no momento apresenta queda da produção e falta de fôlego para investir. Os Estados Unidos também viraram alvo do presidente da Opep, Chakib Khelil, que cobrou a abertura de áreas exploratórias na costa da Flórida e no Alasca.
As perguntas mais freqüentes para o presidente da Petrobras são, não necessariamente nessa ordem, sobre o tamanho das reservas de Carioca, o volume de petróleo que ele calcula existir no pré-sal, os investimentos que a Petrobras planeja fazer e, mais recentemente, sobre as mudanças que ele defende no regime de concessões brasileiro (para o sistema de partilha de produção) e o que ele acha da intenção manifestada pelo governo de criar uma nova empresa 100% estatal. Muitos desconhecem que o Ministério de Minas e Energia analisa inclusive a possibilidade de a Petrobras se tornar empresa de serviços para essa estatal.
O executivo tem resposta pronta para quase todas. Repete exaustivamente que a Petrobras precisa de tempo para concluir o programa exploratório das áreas, que ainda não é possível dimensionar as reservas e que o novo plano estratégico da companhia será concluído em setembro ou agosto.
Sobre a mudança de modelo, ele explica que o atual não é bom para áreas maduras e de baixo risco exploratório, como o pré-sal. "E no Brasil existem três tipos de áreas, novas fronteiras, áreas maduras e o pré-sal. O modelo brasileiro foi preparado para quem quer exploração de risco", repetiu. Já sobre a nova empresa que o governo estuda, ele responde que "trata-se de uma decisão do governo brasileiro" e que por isso não tem comentários a respeito.
O Congresso Mundial de Petróleo terminou com uma promessa do ministro do Petróleo e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, de aumentar sua produção para 9,7 milhões de barris/dia, a maior da história saudita. Isso mostra que o tema não vai sair das manchetes tão cedo.
Fonte: Valor Econômico 06/07/08
O porto de Santos prepara-se para oferecer mais quatro berços para operação de navios de contêineres, o que representará acréscimo de cerca de um milhão de Teus (sigla em inglês para unidades de 20 pés) à sua atual capacidade de três milhões. Em 2007, o porto movimentou 2,5 milhões dessas unidades, com expectativa de crescimento de 3% este ano. Os investimentos em infra-estrutura para deixar o local em condições de licitação são de US$ US$ 515 milhões.
O projeto prevê a desocupação de uma área total 541 mil m2, ocupadas por favelas, e a transferência de 2,5 mil famílias do local. A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e a prefeitura de Guarujá assinaram um acordo nesse sentido. Esta operação contará com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da ordem de R$ 107 milhões, por meio de convênio com a Caixa Econômica Federal.
As áreas denominadas de Prainha e Conceiçãozinha chegam até o estuário de Santos e provocam impacto negativo à navegação internacional e turística, pela sua extrema precariedade. Elas são vizinhas, respectivamente, do Terminal de Exportação de Veículos (TEV) da Santos Brasil, que detém o maior volume de operações conteinerizadas do país, e da Cargill, que opera com granéis sólidos. O mercado de contêineres em Santos, que inclui a margem esquerda, pelo lado de Guarujá, é disputado, pelo menos por mais três empresas: Libra, Tecondi e Rodrimar.
Há negociações no sentido de levar as famílias transferidas para o Parque da Montanha, no Distrito de Vicente de Carvalho, que contará com casas novas de alvenaria. De forma concomitante, a Codesp se propõe a repassar ao município outra área, fora da zona portuária, por onde passa a linha de transmissão de energia elétrica da usina de Itatinga (Bertioga) ao porto. A área será aterrada e posta em condições para receber edificações.
José Di Bella Filho, presidente da Codesp, ligou essa expansão da capacidade do porto de Santos a outras ações regionais, que incluem o aprofundamento do canal de navegação para 15 metros e seu alargamento de 150 metros para 220 metros, "permitindo que o porto receba navios de até 9 mil Teus", ante os cerca de 5 mil Teus atuais. "A viabilização de Prainha e Conceiçãozinha tem como meta tornar Santos porto concentrador e distribuidor de carga."
Segundo a Codesp, como as novas moradias deverão ficar prontas em 2010, as licitações ocorrerão em seguida e e as obras concluídas em 2012.
Valor Econômico 04.Jul.08
